Lixo Extraordinário: produções excepcionais, pessoas singulares.



Eu achei muito interessante documentário 'Lixo Extraordinário' que a professora Karina Dias passou para a turma. Escrevi a minha resenha e vou expor aqui.


O documentário “Lixo Extraordinário” inicia-se contando a história de Vik Muniz, é um artista plástico, fotógrafo e desenhista brasileiro que começou a trabalhar com arte fazendo esculturas e depois usou a fotografia como peça fundamental em seus trabalhos. Um fato curioso sobre Vik é que ele já trabalhou limpando lixeiras de carne e carregando materiais orgânicos em caminhões. Vik nasceu numa família de classe média baixa e sonhava com bens materiais, dinheiro e conforto.
Vik usa objetos e materiais incomuns do cotidiano nos seus projetos fotográficos para que seja visto esses objetos e materiais com outros olhos. Ele junta as imagens num tom enganoso e ousado. Sua obra mais importante foi conhecida como “As Crianças de Açúcar”, onde ele pretendia retratar a passagem de uma infância para uma vida adulta sem doçura, pois ela havia sido roubada dessas crianças pela vida dura e sofrida. Então ele usou o açúcar para desenhar os rostos dessas crianças.
O seu desejo é mudar a vida de um grupo pessoas com os mesmos materiais que são usados por elas, por isso surgiu a ideia de se dirigir até o Rio de Janeiro, mais precisamente no maior aterro do mundo em questão de quantidade, chamado Jardim Gramacho que é um lugar cercado de favelas que são comandadas pelo tráfico. Vik tem a impressão de que será um trabalho difícil, mas se prende a ideia de poder ajudar a mudar a vida daquelas pessoas.
Ao chegar ao Jardim Gramacho, ele tem o desejo de, em conjunto com a arte, a mistura de materiais e a fotografia, mostrar uma outra realidade aos catadores de lixo e tirá-los um pouco do foco da realidade em que eles vivem. Ou seja, Vik visa uma nova visão de futuro para cada uma daquelas pessoas e tem essa experiência como uma mudança de vida através da arte.
Todas as pessoas do aterro sobrevivem daquele lixo, é o trabalho deles e por vezes, o seu alimento. Mas as pessoas não deixam de gostar e de sentir orgulho desse trabalho que exercem, pois se sentem dignas e honestas.
Vik conhece Tião, o presidente da Associação de Catadores do Aterro Metropolitano do Jardim Gramacho (ACAMJG), e então expõe o seu trabalho, explica que o projeto é criar um retrato do catador e deixa claro que o dinheiro arrecadado com a venda das fotografias será revertido para melhorias no Jardim Gramacho. Além de Tião, Vik conhece também Isis, Zumbi, Valter, Irmã, Magna e Suelen, que serão partes fundamentais nesse projeto.
Magna traz uma ideia em uma das conversas com o artista, da importância de saber para onde vai o lixo que a população consome, pois é fácil apenas jogar o lixo fora sem a preocupação de onde ele vai parar. Irmã é a cozinheira do local e se sente feliz ao cozinhar, tem orgulho do que faz. Zumbi é do Conselho da Associação dos Catadores do Jardim Gramacho. Valter é catador há 26 anos, tem orgulho de ser catador, é vice presidente da ACAMJG e acredita que mesmo a luta sendo grande, a vitória é certa. Isis e Suelen são mulheres que lutam pela sua sobrevivência, com histórias de vida incríveis e vivem entre perdas e ganhos.
Vik fotografa Tião como Jean-Paul Marat, um médico, filósofo, cientista e teorista político que morreu em uma banheira. E parte para fotografar Isis, Zumbi, Irmã, Magna e Suelen de vários ângulos para mostrar o trabalho que é feito no aterro.
Após as fotos tiradas, Vik pede para que haja a separação dos objetos que serão usados para o projeto. E no Centro Cultural, é iniciado o processo de escolha de fotos e confecção das obras de arte com o lixo recolhido. Com as fotos em tamanho grande, os catadores preenchem os espaços das fotos com os materiais que foram recolhidos e isso foi tido como um trabalho importantíssimo na visão deles, pois eles perceberam que há muita coisa que eles são capazes de fazer. E isso fez com que o desejo de Vik fosse realizado, uma nova visão de futuro e um novo rumo para cada uma daquelas pessoas.
Vik arrecadou mais de 25 mil de dólares com as reproduções de “Retratos do Lixo”, gerando assim melhorias para a ACAMJG, como: caminhão, equipamento, centro de ensino e biblioteca. E melhorias também na vida dos catadores. E com a liderança de Tião, a ACAMJG é líder nacional e internacional do movimento dos catadores de materiais recicláveis.
Vik confirma o fato de que foi arrogante quando achou que poderia ajudar as pessoas do Jardim do Gramacho, quando na verdade, ele que acabou sendo muito ajudado por elas. Mas no fim, Vik conseguiu o seu objetivo de transformar a vida daquelas pessoas através da arte.



Tatiana Holanda, acadêmica do segundo período do curso de Psicologia da Faculdade Integrada Tiradentes – FITS.

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